Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Django Django [2012]

Django Django Pictures, Images and Photos

Álbum:Django Django
Artista:Django Django
Editora:Because

"Marchas psicadélicas na pista de dança"

De vez em quando aparece sempre alguém que leva as coisas para além das expectativas e desta vez foi o quarteto Escocês com "quartel" em Londres que veio dar uma lufada de ar fresco ao universo da música dançante. Banda que parece nascida de uma jam entre Beach Boys, Franz Ferdinand e The Beta Band (o baterista Dave Maclean dos Django Django é irmão de John Maclean dos extintos Beta Band), veio contagiar as pistas de dança com ritmos viciantes e psicadélicos com um cheiro a Verão.

Através de um ritmo constante e simples que ao mesmo tempo se vai tornando em diferentes ritmos ao longo de pouco mais de 45 minutos e com voz em uníssono conseguem provar que é suficiente para fazer a festa e viciar qualquer pessoa devido ao facto de quase todas as músicas serem "catchy". Conseguem ser consistentes do início ao fim, mesmo com uma ou outra faixa pelo meio que tiram um pouco o gás.

Desde melodias que parecem ser retiradas de um filme Western como em WOR e Love's Dart até às músicas com sonoridades mais psicadélicas como se pode ouvir em Storm e Life's A Beach (provavelmente a que cheira mais a Beach Boys). E até mesmo um instrumental que faz lembrar um deserto em Skies Over Cairo.

Desde já pode-se considerar que os Django Django têm um enorme potencial, que é provado com este primeiro trabalho. Ficaremos então à espera do que poderão ou não trazer, com o tempo.

Classificação:Dos melhores álbuns de estreia dos últimos anos.

Sábado, 16 de Outubro de 2010

The Stooges [1969]



Álbum:The Stooges
Artista:The Stooges
Editora:Elektra

"O punk antes do punk"

Contemporâneos e conterrâneos (Detroit) dos MC5, ambos portadores da "cena", que mais influenciou o punk-rock. Tendo como vocalista o famoso Iggy Pop que depois lançou a sua carreira a solo após o fim da curta duração dos Stooges, mas que recentemente voltaram a juntar-se. O som "cru" e "sujo" que criaram e de certa forma mais directo e os concertos "caóticos, destrutivos e bizarros" (principalmente do lado do Iggy Pop)", teve um enorme impacto para um género que viria aparecer mais tarde, mas já estava a ser demonstrado nesta altura, apesar da fraca venda e apelo comercial que tiveram.

Ao longo de pouco mais de 30 minutos, este álbum "antevê" a cena musical que vai "explodir" nos meados/finais dos anos 70, quase 10 anos antes. 1969, a primeira faixa (ano em que o próprio álbum foi lançado) inicia-se com uma guitarra cheia de efeitos wah-wah que vão alternando ao longo de um ritmo simples de um baixo e de uma bateria e com a voz única do Iggy Pop. Música bem escolhida para abrir um álbum e prova que uma música tão simples consegue ser tão boa como outra música qualquer muito elaborada. A segunda música, I Wanna Be Your Dog, provavelmente a mais conhecida da banda e das que melhor define os The Stooges, com um riff cheio de distorção e pesado, com uma batida constante do início ao fim, e com uma letra "suja e provocativa" (a minha preferida deste álbum). We Will Fall, que se segue à I Wanna Be Your Dog, é a mais comprida e mais negra, calma e algo psicadélica, com a duração de 10 minutos, onde a voz do Iggy acompanhada por "backing vocals" sobressai mais. Nesta música pode-se ouvir um bocado de Velvet Underground, muito devido à produção do álbum ter sido feita por um membro da mesma, John Cale, já extinta há consideravelmente muitos anos. A música seguinte, No Fun, tem uma batida muito "catchy" com letras muito simples e nada de especial, mas ao mesmo tempo é como se a voz do Iggy Pop transformasse as letras em algo interessante. Real Cool Time, é das mais pesadas dos álbuns e onde se vê facilmente o efeito wah-wah (principalmente a meio), e liricamente continua a ser muito simples, mas está lá a voz para fazer diferença. Ann é uma música mais calma e suave, onde predomina mais o baixo e também uma mudança de tom na voz do Iggy em comparação com as restantes músicas. A penúltima, Not Right, é outra das mais pesadas, com vários riffs e variações, onde a voz acompanha perfeitamente a guitarra (principalmente no início), e um bocado mais rápida em relação às outras. Little Doll, é uma boa música para fechar, iniciando-se com o baixo sozinho, entrando de seguida a guitarra e a bateria e finalmente o Iggy no seu tom de voz conhecido, mas não se afasta muito das músicas anteriores.

Os Stooges foram sem dúvida alguma uma banda fora de comum e muito à frente do seu tempo simplesmente pelo facto de haver algo muito pouco parecido na altura e de terem praticamente criado um género de música que só viria a ter nome mais tarde, como já tinha dito anteriormente. Apesar de não ser muito elaborado tanto liricamente como instrumentalmente, através da sua sonoridade conseguiram ser eficientes e gigantescamente influentes.

Classificação:Gosto! (vale a pena ouvir os outros dois álbuns, que conseguem ser ainda melhores que este)

P.S.: Não volto a dar classificações hierárquicas.

Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

Sea Of Cowards [2010]

The Dead Weather Pictures, Images and Photos

Álbum:Sea Of Cowards
Artista:The Dead Weather
Editora:Third Man Records (Editora criada pelo próprio Jack White)

"Dirty, Raw & Dark Blues"

Segundo álbum deste "supergrupo" formado em 2009, liderado por Jack White (The White Stripes, The Raconteurs) que reuniu Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (Queens Of The Stone Age) e Jack Lawrance (The Greenhornes, The Raconteurs). Mais uma vez a ser provado que tudo o que tem a mão de Jack White é ouro, mas desta vez a desempenhar o papel de baterista, o que demonstra que não é apenas um "herói da guitarra".

Sea Of Cowards é uma espécie de segunda versão e um "upgrade" do álbum de estreia, Horehound, e provavelmente este é que deveria ter sido o primeiro álbum. As músicas continuam a ter o toque "agressivo, sujo e meio provocador" e encaixam perfeitamente com a voz "sexy" e a própria postura de Alison Mosshart. Através da maior parte das músicas consegue-se identificar certas sonoridades das bandas correspondentes de cada membro. Este álbum também faz lembrar de certa forma outro "supergrupo" formado também em 2009, Them Crooked Vultures liderado por Josh Homme (Queens Of The Stone Age), John Paul Jones (Led Zeppelin) e Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) onde se podem verificar certas semelhanças.

Blue Blood Blues introduz Sea Of Cowards e logo a partir daí já se sabe que até ao fim espera-se um "rock cru cheio de riffs sujos" como ja tinha sido referido anteriormente. A segunda faixa, Hustle and Cuss, complementa bem a primeira faixa e funciona como uma boa transição. Uma das músicas que mais sobressaem, Die By The Drop (primeiro single de Sea Of Cowards), a mostrar provocação através da complementaridade vocal entre White e Mosshart e através do ritmo crescente e efusivo até atingir uma "explosão". Em I Can´t Hear You nota-se Jack White de guitarra na mão (até parecia mal se não a usasse). Outra das músicas que mostra agressividade, só pelo próprio nome, I'm Mad, onde a própria expressão é repetida vezes sem conta. E a última música, provavelmente com referência bíblica e a mais negra do álbum também, Old Mary; "Old Mary full of grease/ Your heart stops within you/ Scary are the fruits of your tomb/ And harsh are the terms of your sentence."

Pode-se dizer que este projecto é como se fosse o lado negro do Jack White, e escolheu os músicos propícios para tal, principalmente através da Alison Mosshart.

Classificaão:8/10

Sábado, 8 de Maio de 2010

This Is Happening [2010]

Sea of Cowards Pictures, Images and Photos

Álbum:This Is Happening
Artista:LCD Soundsystem
Editora:DFA Records

"We need more cowbell!"

This Is Happening dita o regresso de James Murphy (também fundador da editora DFA Records) e companhia às luzes da ribalta, 3 anos ápós o lançamento do aclamado Sound Of Silver. Este poderá também ser o último da banda, tendo sido afirmado pelo próprio James em várias entrevistas. Regressam em boa forma, mantendo a sua fórmula contangiante e dançável, "post-punk com influências mais dançáveis", ao longo das 9 faixas, praticamente todas com duração consideravelmente longas, algo que já se notava nos trabalhos anteriores. Poderá parecer mais do mesmo e repetitivo para muita gente devido às semelhanças com os álbuns anteriores, mas continuam a criar excelentes músicas com a sua sonoridade única. De certa forma até se pode considerar que conseguiram criar algo de original durante os 00's, conseguindo inúmeros elogios por parte da crítica, sendo uma das bandas que marcou esta década.

Pode-se dizer que este último trabalho, é como uma segunda parte de Sound Of Silver, só que um bocado mais mexido, com músicas mais "aceleradas" e com a presença de mais sintetizadores. This Is Happening inicia-se com Dance Yrself Clean, provavelmente a mais calma, que tem um "crescimento" ao longo dos seus 8 minutos. A segunda faixa é o primeiro single deste último trabalho, Drunk Girls, sendo também a mais curta de todo o álbum, e das que mais faz lembrar os álbuns anteriores. Uma das músicas que se destacam também, é All I Want, que faz lembrar a Heroes de David Bowie, só que com a presença de sintetizadores e com a voz de Murphy. Em Pow Pow, encontra-se um ritmo mais dançável e com mais êxtase em relação às anteriores. One Touch e Home estão dentro da mesma linha que Pow Pow, com um grande ritmo contagiante. Apesar de não ter sido a mesma coisa quando Sound Of Silver foi lançado, This Is Happening não deixa de ser um grande álbum, provavelmente um dos melhores deste ano (quem sabe...), e vai continuar a meter muita gente a mexer com o seu ritmo "viciante dançável".

Classificação:9/10

Sábado, 17 de Abril de 2010

Split The Atom [2010]



Álbum:Split The Atom
Artista:Noisia
Editora:Vision Recordings

"O futuro da electrónica"

O aclamado trio holandês (Martijn van Sonderen, Thijs de Vlieger, Nik Roos), cada vez mais influente e reconhecido na área da electrónica, lançam o seu primeiro álbum de originais, "Split The Atom", com o selo da "Vision Recordings" (uma das 3 editoras pertencentes aos próprios Noisia). O seu reconhecimento sempre foi maior através do Drum and Bass, mas cada vez mais vão tendo um papel mais relevante através da suas sonoridades "próprias", difíceis de serem rotuladas dentro do enorme mundo da música que está constantemente a ser rotulado por tudo e por nada através de géneros e sub-géneros. Tudo isto, devido ao facto de haver cada vez mais dificuldades na criação de música nova, literalmente, do que "reciclagem de música", e é aqui que os Noisia ganham mérito através da sua enorme criatividade de produção, deixando a sua prórpia marca e não uma "cópia". Antes deste álbum, ainda fizeram uma compilação para as prestigiadas séries da FabricLive (nº40).

"Split The Atom" apresenta algumas colaborações ao longo das 19 músicas, como os Foreign Beggars (tendo já trabalhado em conjunto anteriormente) e o aclamado Dj/produtor brasileiro, Amon Tobin. Tem um ínicio explosivo com "Machine Gun" (1º single do álbum), sendo esta mesmo um dos pontos altos do álbum. A segunda faixa, "My World", já se encontra dentro de uma vertente Drum and Bass. O album vai evoluindo através de várias sonoridades, alternando entre diferentes batidas e ritmos. Os pontos mais altos de "Split The Atom" podem encontrar-se entre as seguintes: "Split The Atom"; "Red Heat"; "Shellshock"; "Alpha Centauri"; "Sunhammer" (com Amon Tobin) e "Stigma". Provavelmente alguns fãs ficarão desiludidos por não ser tão constante a presença das produções "mais agressivas de Drum and Bass", apesar da sonoridade de "Split The Atom" ser toda da vertente do Drum and Bass, contendo mais breakbeat. Mas após algumas audições as músicas vão "entrando" melhor, e só o tempo dirá qual o sucesso que os Noisia terão com "Split The Atom" no complexo mundo da música electrónica.

Classificação:8/10

Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Plastic Beach [2010]

Gorillaz - Plastic Beach Pictures, Images and Photos

Álbum:Platic Beach
Artista:Gorillaz
Editora:EMI UK

2D, Noodle, Murdoc e Russel estão de volta.

5 anos após "Demon Days", Damon Albarn (ex Blur) e companhia regressam a "novas praias", com sonoridades um pouco diferentes das que já estávamos habituados, dando continuidade à sua renovação sonora. Este último trabalho contém participações de vários músicos de nome (principalmente da área do Hip-Hop), como Snoop Dogg, Mos Def, os De La Soul, Lou Reed, Mick Jones (ex-The Clash), Paul Simonon (ex-The Clash), entre outros...

Embora "Platic Beach" não seja visto da mesma forma que o anterior pela maior parte da crítica, continua a ser um excelente álbum "à Gorillaz" com a exploração de novos sons e outros ambientes, ouve-se bem apesar de não ser tão "catchy" como o seu antecessor "Demon Days". Continua dentro da estrutura habitual dos Gorillaz (sonoridades Hip-Hop), e a ter muitas músicas como se tem verificado ao longo da sua "curta carreira" (3 álbuns de originais), mas agora tem mais participações do que nos anteriores e de certa forma perdem um bocadinho da sua originalidade. "Plastic Beach" apresenta-se bem estruturado e coerente do princípio ao fim, mas se calhar ficaria melhor se a 2ª e 3ª faixa se encaixassem melhor no álbum, pois são provavelmente as que mais deixam a desejar.

Dentro de "Plastic Beach" dou particular destaque a "Some Kind of Nature" com Lou Reed, "On Melancholy Hill", "Stylo" com Bobby Womack e Mos Def (1º Single deste álbum) "Broken" e "Rhinestone Eyes".

Na generalidade ficou um bom álbum, mas um bocado abaixo das espectativas para maioria dos fãs.

Classificação:7/10

Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Post-Nothing [2009]

Japandroids - Post Nothing Pictures, Images and Photos

Álbum:Post-Nothing
Artista:Japandroids
Editora:Polyvinyl

"Noise-Rock a dois"

"A million years ago, a label called SST briefly held a monopoly on everything awesome in indie rock - the Minutemen, Sonic Youth, Dinosaur Jr., Black Flag, Husker Du. And if the young Vancouver band called Japandroids had been around then, SST would have put them out, too."

New York Magazine

Classificação:8/10